
| Foto: acervo pessoal.
O mestre-de-obras, Ananias Mesquita Ramos, 58 anos, deu entrada com quadro clínico de covid-19 no Pronto-Socorro Municipal de Belém (PSM) na Travessa 14 de Março, no dia 24 de abril. Segundo a família, no dia seguinte (25), Ananias entrou em contato com um irmão e pediu para que ele fosse até o local para conversar com os médicos. Depois dessa ligação, a família nunca mais conseguiu entrar em contato com o paciente.
Segundo David Ramos, sobrinho de Ananias, foram quase cinco dias até saber o paradeiro do corpo do tio. "Meu tio André voltou no PSM no domingo, dia 26 de abril, às 17h, e perguntou pelo irmão, e disseram para deixar nome e telefone, que iriam ligar. Segunda e terça (27 e 28), foi a mesma coisa. Na quarta (29), passamos a tarde lá querendo saber notícias, e foi quando ouvimos pessoas reclamando de um corpo de um indigente (sem identificação), que teria morrido no sábado à tarde e estava em estado de decomposição, e por conta disso, teria 'explodido'", desabafou David.
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Após um momento, funcionários do local pediram para os familiares voltarem para casa que entrariam em contato, mas desconfiados do corpo do 'indigente' ser de Ananias, a família se recusou a ir e começou a pedir explicações. Depois de muita insistência, uma assistente social confirmou que o corpo seria do mestre-de-obras.
"Ela chamou o meu tio André para dentro de uma sala e explicou que o INDIGENTE, era o meu Tio Ananias. Nos deram os documentos dele, pediram desculpas e só. Meu tio morreu sábado a tarde, enquanto íamos todos os dias deixar mantimentos para ele (fralda, cobertor, etc). Quando ele deu entrada estava com a carteira com todos os documentos e preencheu ficha na entrada, então como é que isso aconteceu?", desabafa o sobrinho.
Após isso, o corpo foi removido para o IML, mas até no local a família de Ananias teve que passar por burocracias. Isso porque o corpo ainda estava classificado como indigente, e por conta do corpo ter 'explodido', a família teve que fazer um Boletim de Ocorrência para a liberação do corpo. "Na delegacia, a delegada de plantão informou que era um caso de MORTE VIOLENTA, pois não tinha como reconhecer o corpo. Conseguimos a liberação, e ele foi enterrado ontem (30)".

O Diário Online entrou em contato e solicitou nota da Prefeitura de Belém, mas até o fechamento desta matéria ainda não havia obtido respostas. As ligações telefônicas também não foram atendidas.
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